Antes de sermos mães tentamos imaginar o quão maravilhoso vai ser, toda a gente nos diz maravilhas, que vai ser desta e daquela forma. Tentamos ler e absorver o máximo de informação para estarmos preparadas. E acabamos por ficar ao mesmo tempo baralhadas e frustradas com tanta informação e opiniões. Pensamos.. afinal o que vou fazer quando se deparar uma situação complicada?
A minha gravidez correu muito bem, foi muito tranquila. Adorei estar grávida! Claro que com um trabalho stressante nem sempre era fácil, mas sendo algo que queríamos muito, acho que lidámos com a gravidez com muito amor e tranquilidade.
E chegou o dia pelos dois muito esperado. O parto correu bem, o G nasceu saudável, mas nada nos preparava para o que vinha de seguida.
No 2° dia de vida houve desconfiança de um problema no coração do meu filho, como não havia certezas, nós ficamos confiantes de que estaria tudo bem para acalmar os nossos corações assustados. Mas rapidamente levaram-no para a neonatologia para avaliarem a gravidade do caso, e foi aí que me caiu tudo.. Ficar sem o meu filho ao meu lado?? Não posso tê-lo no meu colo, no meu aconchego? E se ele chamar por mim, sentir a minha falta, será que ele vai sentir que o abandonámos? E de noite como vai dormir? Nada nos prepara para estas situações, para estes imprevistos.
Para nossa surpresa ele dormiu até melhor do que tinha dormido connosco nas 2 primeiras noites, e podíamos estar com ele sempre que quiséssemos, continuando eu a dar de mamar a cada 3 horas.
Nós aproveitávamos para dormir, descansar dentro do possível nos intervalos.
Felizmente tive a sorte de ter o meu companheiro ao meu lado a tempo inteiro no hospital que foi um pilar fundamental, um apoio mútuo constante numa altura em que precisávamos um do outro.
Entretanto os médicos percebendo que o G tinha efectivamente uma deficiência no coração, mandaram-no logo para outro hospital de forma a ser operado por especialistas numa operação que diziam ser simples e que iria resolver para a vida. Apesar destas palavras que nos tentavam acalmar, não deixou de ser um choque e de bater um medo terrível. Nós que tanto lutámos para ter um filho, que tínhamos acabado de o ver, de o sentir, era cruel demais nos tirarem. Não podermos saborear os momentos com ele, nem o sequer conhecer.
Foram uns dias muito difíceis, ter de ir para casa e o deixar de noite no hospital, pois desta vez não havia condições para os pais ficarem de noite.
O aperto da espera da operação, o desespero de o ver anestesiado e com tubos, a espera que acordasse, a alegria de ter acordado e ao mesmo tempo angústia porque chorava por não poder comer durante várias horas..
Enfim tudo passou, ele recuperou muito bem, ficou ótimo e sem mais problemas, e tudo isto não seria possível sem o apoio do meu companheiro, família, amigos, até de quem não nos conhecia e torcia, rezava por nós.
E fundamental também foram os médicos e enfermeiros, todos foram impecáveis, prestáveis, humanos e muito profissionais.
O meu obrigado a todos. Com certeza passámos a dar mais valor ao mais importante, à família, os amigos, e a cada momento com o nosso filho.
Tenho a sorte de poder estar vários meses com ele em casa, e aproveito cada sorriso, abraço, birra, choro, brincadeiras, cada coisa nova que faz a cada dia, tudo a que tenho direito.
Graças a deus ele é saudável e lindo de morrer, não fosse eu mãe dele :)
Ser mãe não se explica, sente-se. Um amor incondicional aconteça o que acontecer. Não dá para explicar, quem quiser saber, vai ter de o ser e sentir.
Ainda sou muito racional e continuo a querer aprender tudo para poder fazer o melhor ao meu filho, e claro que aprendemos sempre coisas importantes e úteis, mas na hora o que fala mais alto é o nosso coração, a nossa intuição de mãe e mulher e fazemos o que sentimos que é o melhor para ele e para a nossa familia naquele momento. Pois cada pessoa é diferente, cada família tem as suas crenças e prioridades, e temos de ir pelo que acreditamos e não pelo que os outros dizem.